Juventudes partidárias: uma mais valia
Muito se tem teorizado sobre os partidos e a sua função no mundo. A opinião geral não é muito favorável e, por arrastamento, as juventudes partidárias levam por tabela. São mesmo classificadas como uma espécie de escola e por isso também responsáveis pela alegada deterioração da classe política. Não deixa de ser irónico que se peça mais participação cívica (nota: os partidos e juventudes partidárias são movimentos cívicos por definição) ao mesmo tempo que se atacam regularmente os partidos e os políticos. Vivemos num tempo onde qualquer acusação dirigida aos partidos é tomada como verdadeira. Cada uma delas contribui para a lenta mas incessante corrosão de todo o capital de esperança existente na mobilização jovem para a actividade cívica. Assim, além da descredibilização dos partidos, assiste-se a uma diabolização das juventudes partidárias.
A realidade é, porém, justamente a oposta. Nas juventudes partidárias o comum é encontrar gente dinâmica, determinada e com ideias. Talvez o que os move seja ainda, como já ouvi, o sonho de mudar o mundo. Talvez. Mas o sonho é a base de lançamento da realidade. Sem sonhos e sem vontade de fazer é impossível conseguir melhorar algo. E qualquer melhoria que se consiga, por mais pequena que seja, através da acção das juventudes partidárias, fará com que a sua existência valha sempre a pena. Há, porém, muitas mais coisas que as fazem ter um papel preponderante nas vidas dos seus membros.
A filiação numa juventude partidária permite um contacto bastante amplo com a realidade do concelho ou da freguesia. Um contacto real. Um conhecer dos mecanismos, uma melhor compreensão do jogo, do que se faz e do que não se faz; do porquê de certas coisas - algo que escapa ao cidadão-comum. A militância activa induz ainda uma maior busca de informação, uma maior atenção aos jornais e aos noticiários, uma sede de conhecimento muito maior. Incentiva ainda a uma maior clarificação ideológica e a uma maior dedicação à ponderação de posições sobre temas fracturantes ou de discussão complexa. Como consequência, permite o confronto de ideias. Um confronto aberto e irreverente, onde os vários pontos de vista são colocados na mesa e dissecados por todos, sempre com a óbvia premissa de que todas as opiniões são aceites e tidas como válidas. Quantas vezes uma reunião de comissão política não se tranformou num debate sobre o aborto ou, mais recentemente, sobre os cartunes dinamarqueses?
Outro grande conjunto de vantagens merece relevo: as profissionais. Uma juventude partidária, assim como outros movimentos associativos, pode ser entendida como uma pequena empresa. Uma pequena empresa que exige responsabilização e dedicação por parte dos seus membros. No caso concreto, é a participação na elaboração de estratégias, moções ou campanhas que fomenta uma maior responsabilização pelos nossos actos: há algo por que damos a cara. Em termos de skills, as capacidades de trabalho em equipa e de planemento são melhoradas em cada reunião. Uma melhor gestão de tempo e de prioridades é atingida, normalmente pela necessidade de conciliar a participação partidária com a vida profissional (ou académica) e pessoal. Desenvolve-se ainda todo um conjunto de pequenas actividades de extrema importância: o discurso em público, a capacidade de argumentação ou o contacto e discussão com pessoas desconhecidos. Com a aprendizagem e prática adquiridas, tornam-se situações banais e de mais fácil domínio. Para terminar, cria-se uma networking de contactos bastante alargada e diversificada; as nossas ideias podem começar a ser ouvidas, comentadas e, quem sabe, colocadas em prática.
Além de tudo isto, a militância partidária dá-nos (a nós, jovens) a possibilidade de ter um papel activo na vida da cidade e da sociedade. Uma juventude partidária pode ser vista, em geral, como uma ponte entre as ideias e as acções no terreno. Faz de cada um de nós, jotas, potenciais agentes de mudança. Algo louvável, tal é hoje o desinteresse generalizado pela quebra dos paradigmas. Esta abertura de portas a uma nova massa de capital humano, mais do que tudo, é a verdadeira mais valia que as Jotas constituem. Não só para a organização em si como para toda a sociedade. Afinal, é delas que saem muitos dos futuros líderes de inúmeras empresas e associações. No limite, futuros líderes do País.
Publicado no Notícias do Barreiro (29 de Março de 2006)

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