M.I.T. - Mais uma Interessante Trapalhada
O Massachusetts Institute of Technology (http://web.mit.edu, para os curiosos) é provavelmente das escolas mais reconhecidas em todo o Mundo. Não só ocupa um dos dez primeiros lugares no top das melhores universidades, como também dele têm saído alguns dos melhores investigadores das últimas décadas, onde se contam inúmeros prémios Nobel. Ora numa hora em que se aposta na formação dos recursos, em que se procura dar melhor condições aos nossos “cérebros”, impedindo a sua fuga para outros países mais atractivos, parece que a possibidade de estabelecer parcerias com tal fonte de recursos e know-how era uma mais valia óbvia. Pois parece que não.
A primeira coisa que salta logo à vista na análise de todo este processo é a falta de informação. Não há um comunicado oficial, não há uma pequena explicação ao país e, se não fosse aquele acto (de coragem, diz-se) do ex-coordenador da UCPT, que inquiriu o PM perante as câmaras de televisão, se calhar hoje esta discussão não grassava pelos jornais. Os processos de decisão nacionais continuam, ao que parece, carentes de transparência, de critérios claros e conhecidos, quer pelos privados quer por nós, simples cidadãos (mas não menos interessados, sobretudo os jovens que vêm o seu futuro na investigação ou nas engenharias).
Assim, e comentando com a informação disponível, parece que o problema pode ser resumido da seguinte maneira: o MIT quer ter relações de parceria com várias universidades e explorar todo o potencial capital humano nacional. O Governo, porém, (leia-se o ministro Mariano Gago) quer dar o exclusivo dessa relação ao IST que, além de ter sido a universidade onde realizou os seus estudos, parece ser ainda visto por muitos conservadores como o único e verdadeiro centro tecnológico do País. Não é. E é isso que a UNL tem tentado fazer ver, fruto da preponderância e reconhecimento (internacional, também) recentemente adquiridos. É bem possível que esta confusão e aparente choque de interesses (leia-se guerra entre as universidades) tenha sido uma boa causa para a demissão do professor José Tavares (que, por acaso, até é docente na UNL).
Resumindo, ao invés de facilitar, o Governo está a dificultar. Ao invés de acarinhar a ideia, de abrir as portas e de aproveitar os fundos comunitários para cumprir a tão famosa Estratégia de Lisboa, o Governo está a colocar entraves, baseados (importa explicitar) não no interesse dos estudantes nacionais, mas num interesse obscuro e muito mal explicado de alguém. Isto para não falar de que o papel do Estado deveria ser não o de coordenar estas parcerias, mas de fornecer apenas apoio e acompanhamento, deixando que as Universidades se entedessem entre si, de modo a melhor poderem ver concretizados os seus interesses. Daí resultaria, certamente, um melhor acordo para todos. Mas isso já é outra conversa.
Publicado no Diário do Barreiro, no espaço Jovem (8 de Fevereiro de 2006)

